3 livros para quem gosta de crônicas

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            Sempre gostei de indicar livros para amigos e desconhecidos, me divirto compartilhando histórias que me marcaram de alguma forma e sempre espero que alguém descubra um livro incrível só porque indiquei. Adoro escrever resenhas detalhadas, mas pensei em escrever alguns posts mais curtinhos para indicar livros do mesmo gênero que já li e adorei.
Livros de crônicas são alguns dos que estou sempre me apaixonando e me inspirando, então decidi compartilhar três dos meus favoritos. Confira:

TRINTA E POUCOS – (Antônio Prata)
Antônio Prata é meu cronista favorito. Desde suas crônicas mensais na Capricho até sua coluna quinzenal na Folha de São Paulo(http://www1.folha.uol.com.br/colunas/antonioprata/), Antônio Prata me conquistou com sua escrita leve, engraçada e honesta. O escritor consegue tirar de momentos insignificantes um texto emocionante e divertido.
Nessa coletânea lançada em 2016, Antônio Prata selecionou algumas das suas crônicas favoritas da sua coluna na Folha e fala sobre diversos temas. É um livro perfeito para quem gosta de leituras divertidas sobre o cotidiano com um toque de humor, ironia e reflexão.
Uma das minhas crônicas favorita do livro: 7x1.

O BLOG DA CLARA (Clara Mello)
Pequenas grandezas do dia a dia é o subtítulo do livro de Clara Mello e não poderia ser mais verídico. Me encantei pelo livro O Blog da Clara(http://nostalgiacinza.blogspot.com.br/2015/06/resenha-blog-da-clara.html) assim que folheei as primeiras páginas e tenho ele como um dos favoritos da minha estante.
O livro é, na verdade, uma coletânea de textos que a autora postava em seu blog. Além de crônicas, o livro engloba cartas, contos e poemas. É um livro para quem procura textos delicados e tocantes que fazem suspirar a cada página.
Uma das minhas crônicas favorita do livro: A mulher mais linda do mundo.

A GRAÇA DA COISA (Martha Medeiros)
A graça da coisa foi um primeiro livro de crônicas que li e Martha Medeiros(http://nostalgiacinza.blogspot.com.br/2014/03/resenha-graca-da-coisa.html) foi uma das responsáveis por me tornar uma amante dessa forma textual. Nas páginas desse livro, Martha também faz jus ao título. Ela consegue transformar o barulho da obra na rua e a falha na tentativa de fazer uma baliza em textos reflexivos e honestos. É um talento de poucos.
É uma coletânea com mais de 80 crônicas da autora a respeito da vida e de suas reflexões diárias inspiradoras e honestas. É um ótimo livro para quem quer descobrir a paixão por crônicas e textos curtinhos.
Uma das minhas crônicas favorita do livro: De onde surgem os amores.


E aí? Gostou desse tipo de post e quer ver mais dicas curtinhas? Ou você tem algum livro de crônicas que guarda com todo carinho? Então sugira aqui nos comentários, vou adorar conhecer uma coletânea nova e maravilhosa <3

Casualidade


Ela gostava daqueles encontros casuais com pessoas que talvez nunca fosse ver novamente. Nada romântico, nada intenso. Só... casual. Uma conversa mais longa que alguns minutos, uma conversa sobre tudo, sobre nada.

Ela gostava desses encontros em que precisava pensar a respeito da vida, em que ela precisava pensar o que diria em seguida. Ou não. Deixar os pensamentos criarem forma da maneira que mais lhe parecesse agradável.

Ah, que tesão quando as palavras simplesmente saiam desenfreadas, quando seus pensamentos apenas criavam vida em sua língua e alçavam voo da sua boca.

Ela gostava desses encontros casuais com antigos estranhos e novos conhecidos. Ela adorava poder escolher que parte de si revelar, ela adorava poder ser quem queria.

A cada encontro com um novo “quase amigo” ela mergulhava na sensação que é ver uma pessoa se revelar diante dos seus olhos. Ela gostava de tentar entender porque as pessoas revelavam o que escolhiam revelar para ela. Gostava de tentar ler as entrelinhas, escutar palavras não ditas.

Ela adorava esses encontros.
Não se incomodava em nunca mais ver aquela pessoa novamente. Guardava as conversas num potinho de cristal. Talvez nunca mais fosse abrir aquele potinho de novo, mas sentia-se maravilhosamente bem só de saber que ele estava ali, que guardava ínfimos momentos que, por alguns instantes, significaram tudo pra ela. 
*Para fins de direitos autorais, declaro que as imagens utilizadas neste post não pertencem ao blog. Qualquer problema ou reclamação quanto aos direitos de imagem podem ser feitas diretamente com nosso contato. Atenderemos prontamente. Foto: gabrielleassaf.

Resenha: Casos de família


Ilana Casoy me ganhou quando li o box com seus livros Serial Killers: Louco ou cruel e Serial Killers: Made in Brazil. Ilana é criminóloga e escritora e consegue como ninguém entrar na mente de assassinos icônicos e desvendar crimes que chocam até os mais frios leitores. Sua forma entrar na mente de criminosos e apresentá-los aos leitores é arrepiante e surpreendente.
Em Casos de família Ilana apresenta os bastidores de dois dos casos mais polêmicos do país e mostra porque é uma escritora cada vez mais aclamada e querida pelos leitores brasileiros.

“O assassinato do casal Richthofen e de Isabella Nardoni foram reunidos em um só livro e trazem novos detalhes observados por quem estava nos bastidores. A criminóloga Ilana Casoy, em CASOS DE FAMÍLIA: ARQUIVOS RICHTHOFEN E ARQUIVOS NARDONI, abre pela primeira vez seus cadernos de anotações utilizados durante a pesquisa na Polícia Civil, Científica e Ministério Público dos dois crimes, tudo isso com a qualidade quase psicopata de edição, uma marca registrada de todos os títulos da DarkSide® Books.”

 

FICHA TÉCNICA 

Título: Casos de Família: Arquivos Richthofen e Arquivos Nardoni
Autora: Ilana Casoy
Ano: 2017
Páginas: 528
Idioma: Português
Editora: Darkside
Nota: 5/5
Compre: Amazon / Saraiva


Casos de família é dividido em dois livros, cada um envolvendo dois dos crimes mais conhecidos do país: o assassinato dos pais de Suzane von Richthofen a mando da própria filha e o assassinato da pequena Isabella pelas mãos do pai e da madrasta.
 

Em “O quinto mandamento”, livro que explora os Arquivos Richthofen, Ilana começa com uma narrativa do crime como se estivesse contando uma história de ficção. É uma narrativa em terceira pessoa que puxa o leitor para dentro do fatídico evento que culminou na morte de Manfred e Marísia, pais de Suzane von Richthofen. Desde a primeira página, a forma como Ilana narra o assassinato tramado por Suzane, seu namorado e seu cunhado, faz com que seja impossível tirar os olhos do papel.

A partir da narrativa envolvente, Ilana passa a contar o caso do ponto de vista das investigações que, desde o primeiro momento, acharam o caso intrigante e arrepiante. É curioso ver como Suzane praticamente não demonstra emoções quando é “informada” da morte de seus pais e como seu comportamento suspeito e frio permanece durante todo o processo, desde o assassinato até o julgamento e condenação.

Ilana teve acesso aos bastidores da investigação e compartilha com o leitor todos os dados, depoimentos e fatos oficias de uma forma que nunca tive acesso antes. Mesmo termos jurídicos e/ou ligados à perícia são explicados de forma didática e em nenhum momento tornam a leitura maçante ou densa.
 

“Comecei a acompanhar o caso Richthofen quase por acaso. Por coincidência, havia acabado de adquirir um livro sobre crimes de família e pensei que seria uma ótima oportunidade para estudar o assunto observando de perto o desenrolar dos fatos. Jamais imaginei que seria tão pressionada pelos meus leitores para publicar essa história em meio a tantas outras que acompanho.”
 


Em “Arquivos Nardoni”, Ilana reconta o crime que chocou o Brasil de um ponto de vista mais voltado para o direito. Ao contrário do que fez em “Arquivos Richthofen”, em que Ilana conta os fatos de acordo com o que acompanhou das investigações policiais, nesse ela coloca o leitor dentro do julgamento que condenou Alexandre Nardoni e Ana Carolina Jatobá pela morte da pequena Isabella.

Ilana pôde acompanhar todos os dias no tribunal e conta de forma extremamente completa tudo o que viu, ouviu e percebeu. Ela descreve as reações dos réus ao longo de depoimentos de testemunhas e especialistas, faz observações dignas de quem entende do que está falando e procura mostrar tudo de forma justa e imparcial.

“Arquivos Nardoni” é um livro riquíssimo tanto para interessados em um dos casos mais marcantes dos últimos anos quanto para estudantes de direito e entusiastas do tema.


“A cada página lida, mais intrigada eu ficava. Leio um inquérito ou processo como quem monta um quebra-cabeça, juntando as peças, fazendo anotações, procurando bordas que combinam ou não, analisando cada comportamento das pessoas e dos profissionais envolvidos; acusados negavam com veemência a autoria do crime. Apesar de todas as incongruências. Apesar de não se comportarem exatamente como incoerentes, uma vez que desde o primeiro dia eram orientados por advogados. Apesar das contradições.”


Ilana Casoy escreveu ambos os livros com base em suas anotações pessoais dos casos. A riqueza de detalhes é impressionante, assim como as declarações e depoimentos completos de testemunhas, especialistas e advogados que lidaram com os assassinatos. As anotações foram feitas no calor do momento e é um privilégio poder ter acesso a informações tão ricas em detalhes que muitas vezes não chegaram a ser divulgados na mídia. Não são reproduções de fatos noticiados, são dados e observações obtidos por quem esteve presente no desenrolar dos acontecimentos.

Casos de família é um livro perfeito para aqueles leitores ávidos por crimes polêmicos e investigações policiais. Mais uma vez Ilana Casoy surpreende com sua narrativa envolvente, sua riqueza de detalhes e escrita acessível e didática. Uma leitura arrepiante e sensacional.

Se você gostou da resenha e quer conhecer outro livro sensacional da Ilana Casoy, venha conferir a resenha do box de Arquivos Serial Killers.


“Casos de Família me dá a oportunidade de compartilhar com os leitores meus cadernos pessoais de anotações enquanto eu “vivia” estes trabalhos, e que eram inéditos até o momento. Algumas coisas foram escritas no calor dos acontecimentos, com a emoção exacerbada e sem censura. Outras, escrevi no silêncio profunda da minha concentração debruçada nos autos do processo, tentando montar o terrível quebra-cabeça que estava à minha frente.
[…]
A maturidade e o saber trazem a possibilidade de mostrar os bastidores de mim mesma. Bem-vindos ao meu mundo particular.”

Gostou da resenha? Já leu o livro ou ficou com vontade de ler? Então não esqueça de deixar uma curtida ou um comentário ;)

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