Dicas para tirar fotos incríveis de livros

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Não é fácil tirar uma foto de um livro que chame a atenção e, melhor, que faça quem está vendo-a suspirar. Um livro não é só sua capa e a fotografia tem que mostrar isso, principalmente se tiver alguma resenha ou opinião envolvida. Vivemos numa época em que imagem conta muito, querendo ou não.

Sempre tento tirar fotos agradáveis para ilustrar minhas resenhas e todo dia aprendo algum truque que pareça melhor, mas ainda estou aprendendo o que funciona ou não. Sei que muita gente tem dificuldade para encontrar inspiração no que diz respeito a fotografias e, pensando nisso, decidi tentar algo diferente aqui no blog.

            Sigo a Amanda há algum tempo no instagram dela, o Artedos Livros. Não me lembro exatamente como conheci o perfil, mas sei que desde então entro sempre pra conferir as fotos novas, pegar dicas de títulos que desconheço e me inspirar nas fotos. Pensei que ela seria a pessoa perfeita para dar algumas dicas de como tirar fotos incríveis de livros.

            Espero que gostem das dicas e que elas ajudem a tornas suas fotos ainda mais chamativas e maravilhosas <3



Olá, gente linda! Eu sou Amanda, leitora voraz, compulsiva por Young Adult, e tenho um instagram literário @artedoslivros. Fiquem à vontade pra darem uma olhadinha lá <3 A fofa da Laura me pediu pra fazer um post com um passo a passo de como montar uma foto bacana voltada para livros. Eu mesma me considero amadora, mas como a Laura gosta do que eu faço, ela me convidou mesmo assim! Se você não tiver uma câmera profissional, não se preocupe, pois eu mesma não tenho. Eu uso a câmera do celular e me saio razoavelmente bem. Então vamos lá:

SELECIONE UM FUNDO
Eu, por exemplo, uso fundo de madeira, como muitos outros. Há outras opções como pisos, lençóis e até mesma a grama da sua casa.

ESCOLHA OS ACESSÓRIOS
São infinitas as opções de acessórios, como lenços, mantos, plantas e flores artificiais, velas aromáticas, entre outros. Eu sempre opto por itens vintage e rústicos, como chaves, colheres e medalhões antigos que tenho – todos esses vocês podem comprar por um ótimo preço no aplicativo Wish, que é um app internacional de compras online.

ILUMINAÇÃO
Eu não tenho todos aqueles instrumentos de luz que facilitam na hora de tirar a foto, então escolho sempre o ponto de melhor luz na minha casa, geralmente na parte da manhã quando a claridade é ideal pra fotografar. Ah, e nunca, NUNCA, use o flash. O flash reflete nas capas dos livros e corrompe a atmosfera do cenário montado.

COERÊNCIA
Tente não mesclar elementos que não funcionam bem juntos, como um item de modelo antigo com algo moderno, ou prata com dourado. Avalie o livro e história, e a ‘sensação’ que ela passa, e tente montar um cenário de acordo com o enredo da obra.

FILTROS
E, por último, filtros. Se preferir. Eu uso estritamente o aplicativo VSCO pra editar minhas fotos, acredito que seja o melhor no momento.
 

E aí? Gostaram das dicas? Gostaram desse tipo de post? Não deixem de me contar nos comentários, quem sabe não convido mais gente?

Resenha: The Kiss of Deception


Nos últimos tempos, praticamente em todo site literário que eu entrava, lia algo a respeito de The Kiss of Deception. Depois de todos os depoimentos positivos que li a respeito do livro, não pude resistir e tive que conferir. Não me decepcionei. Salvo algumas ressalvas, a história da princesa Lia é envolvente e arrepiante e me fez ansiar por mais até a última página.

“Tudo parecia perfeito, um verdadeiro conto de fadas menos para a protagonista dessa história. Morrighan é um reino imerso em tradições, histórias e deveres, e a Primeira Filha da Casa Real, uma garota de 17 anos chamada Lia, decidiu fugir de um casamento arranjado que supostamente selaria a paz entre dois reinos através de uma aliança política. O jovem príncipe escolhido se vê então obrigado a atravessar o continente para encontrá-la a qualquer custo. Mas essa se torna também a missão de um temido assassino. Quem a encontrará primeiro?

Quando se vê refugiada em um pequeno vilarejo distante o lugar perfeito para recomeçar ela procura ser uma pessoa comum, se estabelecendo como garçonete, e escondendo sua vida de realeza. O que Lia não sabe, ao conhecer dois misteriosos rapazes recém-chegados ao vilarejo, é que um deles é o príncipe que fora abandonado e está desesperadamente à sua procura, e o outro, um assassino frio e sedutor enviado para dar um fim à sua breve vida. Lia se encontrará perante traições e segredos que vão desvendar um novo mundo ao seu redor.”

 

FICHA TÉCNICA
Título: The Kiss of Deception
Autora: Mary E. Pearson
Ano: 2016
Páginas: 409
Idioma: Português
Editora: Darkside Books
Nota: 5/5
 


The Kiss of Deception engana um pouco pela sinopse. Minha primeira impressão me levou a pensar que seria um romance um pouco infantil e, de certa forma, clichê. Pensei que o livro seria um triângulo amoroso e as tentativas de adaptação de uma princesa foragida em meio a um ambiente completamente plebeu. Não foi nada do que eu estava esperando. Foi melhor.

O enfoque da história não está no possível triângulo amoroso ou na relação de Lia com os outros personagens apesar de ser parte essencial da trama. Algo que me conquistou na história foi o fato de que a busca pela liberdade de Lia e sua força feminina são os pilares da narrativa. Ela é uma personagem extremamente sensível e forte, duas características que geralmente não conseguem ser bem trabalhadas quando estão juntas.

Em um ato rápido que nunca poderia ser desfeito - ato este que punha fim a mil sonhos, mas dava à luz um desejo -, saí em disparada, buscando a cobertura da floresta, sem, em momento algum, olhar para trás.

Assim como Morrighan, existem outros reinos que têm mitologias, costumes e tradições diferentes. Lia percebe que existe muito mais para além dos muros de sua antiga vida e uma guerra é mais eminente do que ela acreditava.

A questão do romance fica em segundo plano durante grande parte do livro e a autora explora bem mais as descobertas de Lia a respeito de si mesma, de seu passado e de alguns mistérios que sempre a assombravam de certa forma.


A narrativa é alternada entre os personagens principais, mas a maior parte da história é contada pela visão de Lia. A autora não se demora nas visões do príncipe ou do assassino, apenas o suficiente para situar o leitor e enriquecer a narrativa. Não senti em nenhum momento que essa alternância foi desnecessária.

A história é muito bem desenvolvida, Mary E. Pearsons não deixa nenhum ponto desconexo e, quando deixa alguma informação no ar, é para construir o suspense e mistérios que serão apresentados nas continuações da história. A escrita da autora também é um ponto forte na narrativa. Tanto a construção dos personagens quanto a descrição detalhada dos cenários contribuem para que The Kiss of Deception seja quase um filme passando diante dos olhos.

Pode-se levar anos para moldar um sonho, mas é preciso apenas uma fração de segundo para despedaçá-lo.

A diagramação dos livros da Darkside sempre é algo que gosto de mencionar. Um bom leitor gosta de saborear um livro não apenas por seu conteúdo, mas por seu formato e manuseio. A capa se manteve fiel ao original americano e acho que foi algo positivo; a imagem é linda e ilustra bem a história (já vi muitos livros se perdendo na capa). Além da capa dura, essa edição também presenteia o leitor com um marcador de páginas de The Kiss of Deception e um pôster com um mapa dos reinos e com a ilustração da capa.

Minhas únicas ressalvas dizem respeito ao meio do livro e às explicações a respeito dos reinos. Senti falta de uma forma mais didática de explicar como os reinos se organizam, sobre os povos que habitam cada um desses reinos. Como a história é narrada em grande parte pela princesa Lia, entendo que muito tenha ficado de fora visto que a própria personagem está começando a descobrir o mundo, mas senti falta de algumas informações a mais.

Além disso, senti que a história perdeu um pouco o fôlego no meio da narrativa. O livro já começa com a fuga de Lia e parece ficar um pouco monótono depois de sua adaptação à sua nova vida. Demora algum tempo até que a narrativa comece a se agitar de novo e a recuperar o fôlego. O final não me decepcionou nem um pouco. Muito pelo contrário, me deixou curiosa para saber o que acontece na sequência.  

The Kiss of Deception é uma ótima pedida para fãs de romances e de fantasia. Mary E. Pearsons conseguiu construir um universo rico e apaixonante. Além de idiomas distintos criados para os diferentes povos, a autora se preocupou em criar tradições e lendas específicos para cada um. Senti como se estivesse imersa nesse mundo de fantasia.


 “Minha voz se ergueu, jogou-se, sentiu o pesar, cortou pelos ventos e depois se tornou parte deles, trançada com as palavras de milhares de anos, milhares de lágrimas, o vale se enchendo não apenas com a minha voz, mas com os lamentos de mães, irmãs e filhas de tempos passados. Era uma memória que ia além do céu distante e da terra que sangrava, uma canção de desprezo e amor, de amargura e misericórdia, uma prece tecida não apenas de sons como também de estrelas e pó, e todo o sempre. "E que assim seja", finalizei, "para todo o sempre."

Gostou da resenha? Já leu o livro ou ficou com vontade de ler? Então não esqueça de deixar uma curtida ou um comentário ;)

Divã

O singelo tilintar do molho de chaves era o único som que ecoava no hall de entrada. Sua bolsa parecia pesar mais a cada segundo e ela temia que suas sapatilhas fossem arrancar pedaços de sua pele se ficasse mais um minuto com elas nos pés.
Puxando a bolsa para cima do ombro mais uma vez, enfiou a chave na fechadura e abriu a porta empurrando-a desajeitadamente com o ombro livre. Colocou as sacolas de plástico no chão para que pudesse acender as luzes com mais facilidade. Bastaram alguns segundos para que ela escutasse um miado dócil. Instantes depois uma bolinha de pelos preta saiu da escuridão do corredor e praticamente saltitou ao seu encontro. Ela sorriu e pegou seu gato no colo quando ele se esfregou em suas panturrilhas e fez menção de arranhar sua calça caso ela não o deixasse subir.
Após um longo dia como aquele tudo o que ela precisava era desse pequeno gesto de carinho do animalzinho. Levou o nariz até o pelo do gato e sentiu aquele cheiro precioso que se assemelhava a madeira e feno. Sorriu e colocou seu amigo no chão antes de pegar as sacolas e ir para a cozinha.
Colocou as sacolas em cima da bancada. Havia comprado alguns pães para o café da manhã do dia seguinte, alguns pacotes de comida instantânea e algumas fatias de queijos e salame. Aquilo deveria servir para nutri-la pelos próximos dois dias.
As tigelas de seu gato estavam parcialmente vazias. A de água mostrava que todo o leite que ela colocou ali tinha sido devidamente tomado e apenas algumas bolinhas da ração continuavam no pote.
- Pelo visto você teve um dia cheio, hein? – Se dirigiu ao gatinho que a observava do chão. – Imagino que você deve estar exausto depois de tanto comer e dormir?
O bichinho apenas mexeu as orelhas em resposta enquanto a olhava fixamente.
Abriu uma prateleira e pegou o saco de ração de seu gato. Ao ouvir o barulho característico do plástico, seu gato se agitou e mal deixou que ela chegasse nas tigelas enquanto se esfregava em seus tornozelos. Ela despejou um pouco de ração ali e ele se ocupou de comer. Depois de guardar o saco ela foi até a geladeira e fez o mesmo com o leite. Deixou que seu gato se esbaldasse e começou a guardar suas compras.
Pegou uma taça e encheu quase todo o copo com vinho. Que se danem as convenções. Ela tinha sorte de não ter deixado a taça de lado e tomado direto da garrafa. Naquele dia era a vontade que sentia. Apagou a luz da cozinha, pegou o esqueiro e acendeu duas velas na sala.
Sem nem prestar atenção no CD que escolhia, apertou o play no som que havia ganhado de sua mãe quando saiu da casa dos pais e se dirigiu até a janela. Largou as sandálias em algum lugar no meio do caminho.
O som de um piano preencheu o ambiente silencioso de sua casa. Ela se sentia... solitária naquela noite. E cansada, exausta na verdade. O dia havia sido cheio, o que não era nada inédito, mas os desabafos que teve que escutar foram... difíceis.
Passava horas e horas da sua vida sentada no pequeno consultório que havia montado para ela. Tentou fazer com que ficasse o mais confortável e aconchegante possível. Gostaria de, ao precisar contar seus problemas e pensamentos, entrar numa sala com um tapete bonito, paredes claras, uma máquina de café nova, flores enfeitando as mesas e cantos e um divã preto extremamente macio e convidativo. Ela adorava a sala que havia construído para seus pacientes, mas ultimamente – e principalmente naquele dia – ela não lhe parecia mais tão confortável e revigorante assim.
Sentou-se num banco alto ao lado da janela e respirou fundo algumas vezes. Geralmente não precisava de muito tempo para que esquecesse as conversas do dia, mas naquele momento estava sendo particularmente difícil. Apoiou a taça na janela e esfregou as têmporas massageando-as.
A noite estava muito bela. Seu apartamento tinha uma vista excelente para a cidade e todo dia ela agradecia por isso. Em dias como aquele ela precisava de uma bela vista para apreciar sem precisar sair de casa. O céu estava limpo e, mesmo com as luzes urbanas, ela conseguia notar algumas tímidas estrelas enfeitando-o.
Bebeu um gole generoso de seu vinho e fitou uma luz acessa em um dos prédios à frente. Tinha aprendido desde cedo que não era nada prudente interiorizar os problemas de seus pacientes, eles só se acumulariam dentro de si e seria cada vez mais difícil ficar sã. Ela achava que tinha que virar psicóloga por causa da sua sensibilidade, mas em noites assim ela começava a acreditar que seria essa mesma sensibilidade que faria com que procurasse outra vocação.
O rosto arrasado de uma paciente que acabara de cair em si e percebera que estava em um relacionamento abusivo; as palavras descrentes de um menino que via seu pai se embebedando noite e dia; uma menina que estava começando a lidar com seu transtorno de déficit de atenção e hiperatividade; até mesmo uma mulher que passara uma hora inteira enumerando todos os itens de sua lista de compras para o natal. Parecia que todas as vozes ecoavam dentro de sua cabeça e ela sentia que não havia nada que pudesse fazer para silenciá-las. Precisava ela mesma de uma hora no divã, mas seu psicólogo estava participando de um congresso em outro estado. Teria que esperar até a semana seguinte.
Ela adorava sair da sua cabeça por algumas horas, mas às vezes se esquecia que a mente dos outros poderia ser tão perturbada quanto a dela. Alguns dias ela conseguia tranquilamente se desligar de seu trabalho da mesma forma que apagava a lz do consultório toda vez que saía pela porta. Já em outros ela se condenava por não conseguir resolver os problemas daqueles que confiavam nela a sua intimidade, a sua vida particular. Não era o trabalho mais fácil do mundo ser a caixa preta de segredos alheios.
Um som parecido com um murmurinho chamou sua atenção. Olhou para o chão e viu seu gatinho lambendo uma das patas dianteiras e esfregando-a no rosto pequeno. Ela fez um som com a boca e ele olhou para cima.
Bebeu mais um gole da sua taça e deixou-a na janela. Bateu de leve em sua coxa com a mão direita num gesto para que o bichinho subisse. Como era de costume, com um pulo ele estava em seu colo se esfregando na barriga dela e procurando a posição mais confortável. Ela acariciou a pele atrás de uma das orelhas do gato e ele fechou os olhos ronronando contente. Ela sorriu e aquele sorriso deixou as coisas mais leves. Pelo menos um pouco.
Olhando novamente para o mundo atrás de sua janela, tentou absorver aquela falsa quietude da cidade. Cada luz acessa era uma vida diferente acontecendo, era um ser humano diferente fazendo coisas diferentes. Naquele momento ela se permitiu simplesmente existir. Respirando fundo ela finalmente conseguiu acalmar sua mente. Seu coração estava batendo um pouco mais devagar quase como se pudesse entendê-la.
Um vento fresco soprou as plantas de sua jardineira ao mesmo tempo em que parecia acariciar-lhe o rosto. Ela agradeceu mentalmente. O cheiro de concreto nunca foi tão bem recebido pelos seus sentidos quanto naquele momento.
Ela não tinha o poder de mudar o mundo, mas tinha aquele momento nas mãos. E enquanto pudesse se acalmar e servir de consolo para alguém, ela estaria bem.
          Enquanto uma mão continuava acariciando seu pequeno companheiro, a outra brincava de rodar a taça de vinho entre os dedos. Sem tirar os olhos dos pequenos quadradinhos de luz que mais lhe pareciam estrelas, ela sentiu o peso do mundo se esvaindo de seus ombros. E permaneceu ali. Pelo tempo que sentiu que fosse necessário.

           A vida acontecia lá fora. Mas ela se permitiu parar um pouco no tempo e ficar parada enquanto o mundo continuava girando. Os pequenos barulhinhos que seu gato emitia lembravam-na de que estava rodeada de vida, de que continuava ali. E naquele momento os sons da cidade guardavam sua paz e as estrelas observavam seu silêncio. Estava tudo bem. Ela estava bem.

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